terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

As vantagens do bilinguismo

Ana Regina Fonseca Araújo - Gerente de pesquisa e desenvolvimento do Number One
Estado de Minas, 07/02/2012 - Belo Horizonte MG

Mais do que um diferencial profissional, ser bilíngue ou falante fluente de um segundo idioma, pode favorecer o discernimento ou reconhecimento de detalhes ou características na estrutura linguística dos diferentes idiomas e ativar a área cerebral onde ocorrem as funções executivas (áreas responsáveis por nossos processos de escolha e decisão), uma vez que o bilíngue tem que aprender a optar todo o tempo por qual código usar. Estudos da neurociência indicam que a melhor idade para aquisição de linguagem é a infância (3 a 10 anos). Quanto mais cedo se iniciarem os estudos da segunda língua, maior será a facilidade do indivíduo de se comunicar em dois idiomas. Crianças aprendem idiomas com mais facilidade que adultos, ou seja, quanto mais velho o indivíduo, mais difícil fica aprender uma língua. A neurocientista Sharon Begley fez alguns testes com crianças com menos de 1 ano e concluiu que as que entendiam outra língua tiveram um resultado superior àquelas que compreendiam apenas uma. Nesse estudo, a doutora chega à conclusão de que indivíduos que aprendem uma segunda língua mais cedo têm vantagens sobre os monolíngues, não só no que se refere à linguagem. Sabemos que ao adquirirmos qualquer tipo de conhecimento processos neurológicos ocorrem de forma a ampliar nossa capacidade de aprendizado e de raciocínio. A aquisição de conhecimento nesses casos está diretamente relacionada ao acesso aos estímulos externos e aos sentidos. Assim, um indivíduo que é desde cedo exposto a um segundo idioma terá biologicamente mais preparo ao aprendizado de línguas do que aqueles que são expostos a uma só língua. Esses indivíduos vão dobrar a atividade da área do cérebro onde se desenvolve a linguagem. Todos nós – os clinicamente normais – nascemos com o cérebro pronto para o aprendizado da língua e, dessa forma, o cérebro sabe ou entende que são códigos de comunicação. É natural ou intuitivo. Dessa forma, a criança desde muito cedo entende que são códigos diferentes para o mesmo objeto. Ao contrário do que se pensa, o aprendizado de uma segunda língua influencia positivamente no aprendizado do idioma nativo. Os estudos da neurociência apontam que o indivíduo bilíngue ou falante de uma segunda língua não terá um escopo enorme de vocabulário nas duas línguas, mas terá todos os benefícios cerebrais, além de na melhor idade poder retardar em 10 anos o aparecimento de doenças próprias da velhice, como falta de memória e Alzheimer. 
O tempo para que uma pessoa possa ser considerada como bilíngue é muito relativo. Devemos levar em consideração se o indivíduo foi exposto à língua desde cedo, qual a frequência dessa exposição, em que ambiente, qual o teor das suas necessidades, e se tem aptidão para o aprendizado de línguas. Uma pessoa pode viver 10 anos nos EUA e ainda assim não ter pronúncia e fluência boas. Outra, em dois meses na mesma situação, poderá se tornar bilíngue. Fazer intercâmbio pode encurtar as barreiras do aprendizado. Quando moramos no país cuja língua nativa é aquela que queremos aprender, e nos deparamos com necessidades básicas para nossa sobrevivência (comer, dormir e interagir, por exemplo), temos esse gatilho motivador que nos proporciona um aprendizado mais rápido. Serão 24 horas de contato com o idioma e a necessidade de resolvermos assuntos e nos fazermos entender. É bom ressaltar que um intercâmbio morando com falantes da mesma língua que falamos prejudica muito a aquisição do novo idioma, pois a tendência é recorrermos à nossa zona de conforto quando precisarmos.

A década da educomunicação?

Alexandre Sayad
Portal Aprendiz, 07/02/2012 

Em dezembro de 2011, a Universidade de São Paulo (USP) organizou, como já tem virado um costume, o III Simpósio Brasileiro de Educomunicação, que reúne profissionais e pesquisadores da interface entre a educação e comunicação de diversas partes da America Latina. Participei de uma mesa de debates cujo título chamava a atenção para a década da educomunicação que se fechava (2001/2011), que teria começado quando a USP começou a sistematizar esse novo campo, assim chamado por eles, e a sociedade civil, em organizações como as que compõem a Rede CEP, iniciado a disseminação da prática Brasil afora. Achei simpático o nome da sessão (“A década da educomunicação”), mas tentarei aqui levar aqui meu pensamento para além disso. 
Sim, as práticas de em comunicação e educação jamais estiveram tão presentes em escolas e comunidades. O último levantamento do MEC aponta que cerca de cinco mil instituições adotaram as mídias escolares como ação dentro do programa Mais Educação – uma ação que nasceu no bojo da Rede CEP. Em outro campo, comunidades por todo o país tem re-valorizado o caráter educativo intrínseco a seus membros, estruturas e aparelhos, por meio de programas que, como o bairro-escola, resgatam a relevância social que a educação informal e não-formal perderam para o currículo escolar nas últimas décadas. No entanto, olhando atentamente para a história, o papel da universidade no campo da educomunicação parece percorrer um caminho contrário ao que exerce naturalmente: tem organizado uma prática um tanto quanto “mundana” e mais antiga que o conceito.
Na verdade, os acadêmicos têm exercido o papel importante em dar contorno a um novo campo e a sistematizar ações que estão ativas muito anteriormente a criação desse novo conceito. Ou seja, as práticas (agora chamadas educomunicativas) datam da década de cinquenta no Brasil, por meio das comunidades eclesiais de base; só em 2001 passaram a freqüentar as salas de aula nas pós-graduações. Considerá-las existentes a partir de 2001 seria o mesmo que passar a acreditar que o graffiti nasceu em meados dos anos oitenta, quando algumas galerias de Nova York chamaram seus artistas a expor, levando ao Olimpo essa forma de arte. Na verdade, já tinha vinte anos à época. O mais interessante no caso não diz respeito ao passado, mas ao futuro. Quem acredita que essa década foi a da educomunicação pode não estar preparado para o que há de vir de dentro das empresas – essas ainda pouco lembradas como atores importantes dentro do campo. 
Se considerarmos o olhar da educomunicação como um comprometimento a uma comunicação de qualidade, esse movimento só está nascendo no ambiente corporativo. Cada vez mais empresas emprestarão sua credibilidade e marca apenas para a comunicação que tiver o mínimo de comprometimento com seus processos, fruto de uma onda de responsabilidade social corporativa que iniciou-se há mais de quinze anos. Está nascendo uma espécie de curadoria de qualidade. Por outro lado, o desafio permanente das empresas em aproveitar idéias e talentos de todos os envolvidos para melhor desenvolver o negócio pode enxergar na educomunicação uma ferramenta muito útil na área de sua gestão. Considerando passado e futuro, a década da educomunicação não foi e nem é; me parece que o conceito está começando a se emaranhar na sociedade e as surpresas maiores ainda estão mesmo por vir.

A era dos tablets

Pelo menos três escolas particulares do DF inauguram o uso dos equipamentos na sala de aula. Educadores, pais e especialistas revelam preocupação quanto ao aprendizado 
Manoela Alcântara
Correio Braziliense, 06/02/2012 - Brasília DF 

No lugar de lápis, papel e livros, computadores sensíveis ao toque. Após conquistar os jovens do mundo todo com as inúmeras possibilidades de aplicativos, jogos e interatividade, os tablets começam a invadir as salas de aula das escolas particulares do Distrito Federal. A ferramenta possibilita aos alunos buscarem informações em diversas fontes, ter acesso ao conteúdo explicativo por meio de vídeos e músicas, além de levar a modernidade do conteúdo virtual. Porém, a introdução do instrumento no processo de aprendizado de crianças e adolescentes na capital ainda é tratado com cautela por pais e educadores. As dúvidas referem-se a segurança, eficácia do sistema e dispersão que as ferramentas como a internet podem provocar dentro das instituições de ensino (veja arte). Uma semana após o início das aulas nas unidades privadas de ensino, pelo menos três colégios apresentaram alternativas para inserir a nova tecnologia na realidade de estudantes do 1º ano do ensino médio. Sigma, Marista e Leonardo da Vinci usam maneiras diversas para que a inovação integre o ensino. Com um investimento alto em criação de aplicativos, instalação de redes sem fio e a capacitação de professores, um ponto é indiscutível: os estudantes se mostraram empolgados com a novidade. 

O Correio acompanhou a primeira aula com tablet no Sigma. No local, os livros impressos das 16 matérias foram substituídos por material digital, criado especificamente para o aparelho. Em mesas de tamanho diferenciado, o tablet e o caderno compunham todo o cenário de ensino para a disciplina de espanhol. Olhos atentos à professora e ao novo equipamento. Os adolescentes ouviam o que a educadora falava e logo perguntavam: “Em que página?”, “Como acho esse vídeo?” Em 50 minutos, os estudantes tiveram contato com a língua estrangeira, conheceram músicas no idioma e ainda tiveram a oportunidade de interagir com outra cultura. Enquanto ouviam melodias, pesquisavam sobre os países que têm a língua como idioma oficial. Com mais alguns cliques, entenderam um pouco mais sobre a história e a geografia de nações que falam espanhol. Tudo isso por meio de um aplicativo desenvolvido pela professora da instituição. O livro virtual contém links, com informações adicionais em determinados pontos do texto.
Na parte de gramática, por exemplo, é possível clicar no local indicado e ter acesso a questões usadas no Programa de Avaliação Seriada (PAS), no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou no vestibular. “Começamos a primeira etapa do processo em 2010, quando observamos experiências de outros países com o equipamento. Decidimos, então, fazer um projeto pedagógico próprio, voltado para a necessidade de vestibular da região. Cada professor produziu o material interativo para as matérias, contratamos uma empresa de informática e ela topou o desafio”, explicou o coordenador da área de física do Sigma, André Frattezi. No início do ano, os pais levaram um susto ao perceber que o tablet e o conjunto de aplicativos faziam parte da lista de material escolar. O aparelho custa entre R$ 1 mil e R$ 2 mil, e os livros virtuais para estudo ao longo do ano, R$ 1,1 mil. O desafio começou com 1,2 mil alunos do 1º ano e aumentará paulatinamente, com expansão no ano que vem para os do 2º período. Os links informativos são parte integrante do sistema e muitos não precisam de internet para revelar as informações adicionais. Porém, a escola dispõe de rede sem fio, o que não impede os alunos de entrarem na rede. 
Receio - A Associação de Pais de Alunos das Instituições de Ensino do DF, que representa 2 mil pais em Brasília, considera a iniciativa interessante, mas preocupa-se com a dispersão dos estudantes, que têm entre 14 e 16 anos. “A internet na sala de aula é algo que nos deixa apreensivos. É uma responsabilidade a mais para esses adolescentes justamente em uma época decisiva da vida deles, em que não estão maduros ainda. O sucesso dependerá da capacidade da escola e dos responsáveis para controlar isso”, disse o presidente da instituição, Luis Claudio Megiorin. “É uma tecnologia nova e isso sempre nos trás dúvidas, mas acreditamos que o conteúdo interativo, planejado de forma correta, pode melhorar o aprendizado.” Keille Vacerman, 38 anos, tem um filho de 14. O garoto começará a utilizar a nova tecnologia. Ela acha a ideia interessante, mas confessa que, se o colégio não tivesse exigido na lista de materiais, a compra do tablet para o adolescente não seria feita tão cedo. “Não estava nos meus planos. A meninada adora, mas a gente não deixa de se preocupar. Será que esse conteúdo vai funcionar? Eles vão aprender? E a segurança, como fica? Tenho muitas dúvidas.” Outro ponto levantado pela mãe é quanto à fiscalização no acesso de sites fora do conteúdo da sala de aula. O medo é que os estudantes entrem em redes sociais e outros portais e não prestem a atenção no conteúdo. “Conversei com a escola e eles disseram que vão aumentar a fiscalização. Também educo em casa e acredito que os professores estarão atentos”, disse. O especialista na área de tecnologias da educação na UnB Gilberto Lacerda acredita que a ferramenta é inerente à evolução, um encontro marcado entre as escolas e a tecnologia, mas o risco de dispersão existe. “A pertinência das aulas será o diferencial para reter a atenção do aluno. A conscientização e o acompanhamento dos pais também é importante nesse e em todos os outros processos”, disse. Para ele, se houver capacitação dos professores, aliada a boa infraestrutura, os resultados surgirão com rapidez. Rafael Assis, Mikhaela Hanae, ambos de 14 anos, e Pedro Henrique Lima Cardoso, 15, admitem a possibilidade de dispersão, mas garantem que o voto de confiança dado a eles não será desperdiçado. “Acho, sim, que vai ter gente na internet, sempre tem uma exceção. A responsabilidade de garantir um futuro promissor agora é nossa. Achei o aplicativo claro, vai ficar mais fácil e interessante aprender”, afirmou Mikhaela. Pedro Henrique também comemora a mochila mais leve. “Na minha antiga escola, tinha que carregar oito livros e o caderno de 12 matérias. Agora, está bem melhor.” Empolgado com a novidade, o rapaz acredita que o professor fará a diferença na hora de prender a atenção dos alunos. “O educador é o maestro. É ele que vai dizer o ritmo da orquestra. Com aulas interessantes, com certeza ficaremos concentrados.” 

Segurança - Se o ambiente virtual abre discussões, a segurança é uma preocupação constante para os pais. Eles temem que os filhos sejam visados por bandidos por terem na mochila um equipamento caro. A dúvida é plausível, segundo o tenente-coronel Eduardo Leite Sousa, comandante do Batalhão Escolar. Ele acredita que, em um primeiro momento, o material pode chamar a atenção. “Podemos comparar com a época em que os celulares começaram a fazer sucesso. Quem tinha o aparelho era mais visado, mas em um ou dois anos, a preocupação diminuirá.” Para evitar imprevistos, quem tem o tablet não deve ostentar o material fora da escola. O indicado é sair da sala, colocá-lo na mochila e não tirar até chegar em casa. “Temos hoje 500 policiais para fiscalizar 1.080 escolas, não podemos estar em todas. Por isso, os alunos devem andar por locais claros, só mexer nos aparelhos dentro das salas ou em casa, andar em grupos e não reagir a assaltos”, orientou. Uma outra dica para que não haja prejuízo é fazer um seguro do aparelho. As próprias escolas e as empresas que vendem o tablet oferecem propostas atrativas, que custam em média R$ 150 reais.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Um apartheid silencioso

Folha de São Paulo, 02/02/2012 - São Paulo SP 
Escolas estatais sofrem com lentidão, corporativismo e falta de meritocracia; o ProUni é um exemplo: poderíamos ter acesso universal às escolas privadas 
Fernando Luís Schüler

A última edição do Pisa, avaliação realizada em 65 países com alunos de 15 anos, pela OCDE, apresenta um dado perturbador. Os nossos alunos das escolas privadas tiveram nota média de 502, semelhante à nota dos estudantes dos EUA. Os nossos alunos das redes estaduais e municipais de ensino alcançaram uma média de 387, semelhante à da Albânia. Os dados do Enem mostram o mesmo quadro. Das mil escolas mais bem posicionadas (contando apenas as escolas que tiveram mais de 75% de participação dos estudantes), 92% eram particulares. O fato é que estamos alimentando, no Brasil, uma espécie de apartheid educacional entre os jovens de classe média e alta, cujas famílias há muito "privatizaram" a educação de seus filhos, e os estudantes de famílias mais pobres, que são levados a estudar nas redes estaduais e municipais de ensino, com seus problemas crônicos de gestão. 

É uma situação paradoxal: o sistema público de educação, que deveria assegurar uma base de oportunidades igual para todos, é ele mesmo uma máquina geradora de profundas desigualdades sociais. Alguns dirão que não é possível debitar os resultados pífios da educação pública às deficiências estruturais do sistema. Pesaria a condição das famílias para apoiar os filhos em suas atividades fora das salas de aula. É um argumento que pode tranquilizar o nosso sono, mas é inaceitável. Caberia ao Estado exatamente criar as condições para compensar essas assimetrias sociais. Recursos não faltam para isso. Nosso sistema estatal é caro e ineficiente. Escolas estatais são repartições públicas. Não têm autonomia para tomar decisões com a racionalidade e a rapidez que a educação requer no dia a dia -como atualizar laboratórios, bibliotecas e fazer obras de infraestrutura. 

Elas sofrem com a burocracia, com o corporativismo e com a visão antimeritocrática comum no serviço público brasileiro. É fácil constatar esse quadro e dizer que tudo poderia ser diferente. Mas não é o que a experiência demonstra. Penso que chegou a hora de apostar em uma mudança de paradigma no Brasil. Uma mudança estrutural de longo prazo: repensar a relação entre o Estado e a sociedade brasileira no que se refere à educação. Em vez de continuarmos tentando o que se tentou no século 20 -ou seja, nivelar o acesso à educação pela oferta do ensino estatal-, podemos buscar soluções efetivamente possíveis no século 21: assegurar o acesso de todos ao ensino não estatal -composto por escolas com ou sem fins lucrativos, desde que elas tenham qualidade, uma gestão ética e uma relação positiva entre custo e benefício. O Brasil tem apresentado inovações importantes nessa direção. Basta observar o ProUni e o Fies. O Estado financia (via abatimento fiscal para as instituições ou via juros subsidiados para os estudantes) a matrícula dos alunos nas instituições particulares. É, grosso modo, o que, há décadas, propunha-se no país sob o conceito de "voucher" para a educação. 

Em vez de criar e administrar repartições públicas de ensino, o Estado utiliza a capacidade disponível das redes privadas, deixa que as famílias escolham onde querem estudar e concentra a sua ação na criação de indicadores e na exigência de qualidade. Fica a pergunta: por que esse não se torna o padrão de atuação dos governos na educação também no ensino médio e fundamental? Por que continuar abrindo repartições públicas educacionais e continuar (como os indicadores mostram) aumentando o fosso social brasileiro? Não seria melhor apostar em modelos transparentes de parceria entre Estado e sociedade, com o financiamento direto aos estudantes, deixando que eles escolham onde estudar? Alguém já comparou a relação entre custo e benefício dessas duas alternativas? O Brasil fez muitas revoluções nas duas últimas décadas. Precisamos agora de mais uma. Uma revolução para que exista igualdade de oportunidades, que vai começar quando tivermos alguma coragem para revisar velhos conceitos. FERNANDO LUÍS SCHÜLER, 46, doutor em filosofia e mestre em ciências políticas pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), é diretor acadêmico do Ibmec-RJ.

Instituto da UFRJ é o único brasileiro em ranking mundial de MBA do 'FT'

Portal G1, 31/01/2012 
Mestrado da Coppead está em 51º lugar na lista do 'Financial Times'. Salário de ex-alunos cresce 151% de salário após 3 anos, segundo estudo. 

Do G1, em São Paulo


O MBA do Coppead, Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é o único representante brasileiro na lista dos cem melhores programas de mestrado do mundo publicada pelo “Financial Times”. O MBA da Coppead aparece na 51ª posição no ranking geral e em sexto lugar no índice que mede a evolução da média salarial dos alunos três anos após se formarem, com um aumento de 151%. O curso da MBA “full time” do Coppead figura no ranking desde 2001, mas não esteve presente na lista do ano passado. Na última aparição, em 2010, figurava em 65º lugar. O ranking tem em primeiro lugar a escola de negócios da Universidade de Stanford, seguido por Harvard, Universidade da Pensilvânia, London Business School e Columbia Business School. A média de salário dos estudantes do Coppead é de US$ 110 mil por ano. Em Stanford, a média é de US$ 192 mil, e para os que fizeram MBA em Harvard, US$ 156 mil. 
Com dedicação em tempo integral e dois anos e meio de duração, o MBA do Coppead tem em sua maioria estudantes da área de engenharia, mas também conta com alunos vindos de cursos de administração e economia, entre outros. Em seu site, a Coppead sugere sólida formação acadêmica, maturidade, experiência profissional e de pesquisa e domínio das línguas portuguesa e inglesa como fatores que favorecem a admissão de um candidato. O curso é totalmente gratuito. Tem recursos públicos destinados à UFRJ além de participação de recursos de instituições parceiras como empresas e cátedras. “Somos uma escola pública, devemos ser a única entre as escolas listadas que não cobra mensalidade para o seu mestrado”, destaca Ricardo Leal, professor titular da UFRJ e professor de finanças da Coppead. Segundo o ranking, 40% dos estudantes da Coppead são mulheres e 16% são estrangeiros. Além disso, todo o corpo docente tem doutorado. São oferecidas de 50 a 55 vagas por ano. No edital de 2012, já com inscrições encerradas, são 52 vagas disponíveis. Para entrar no programa é preciso prestar um concurso público de seleção com provas de português, inglês e matemática. A experiência profissional do candidato também é levada em conta. Os estudantes fazem 18 meses de créditos em aula e mais 12 meses como preparação de sua dissertação de mestrado. Também é possível participar de intercâmbio com universidades internacionais.

O lugar do engenheiro de software no mercado

O Tempo, 02/02/2012 - Belo Horizonte MG 
GEORGE LEAL JAMIL / Doutor em ciência da informação; professor (Ietec)

É difícil passar um dia sem ler: "faltam pessoas capacitadas". O país passa por uma fase de crescimento em vários setores e começa a encarar a falta de recursos humanos preparados para assumir posições estratégicas. O desenvolvimento de software chama a atenção. Em duas áreas importantes de sua aplicação, foram notificados eventos muito semelhantes: "em virtude da falta de pessoas", haverá problemas no atendimento e no crescimento da demanda. Torna-se importante chamar a atenção para oengenheiro de software. Há quem diga que ele é desnecessário, que as habilidades não se relacionam às técnicas modernas. Há aqui dois equívocos graves.formação básica. Ter fundamentações teóricas antigas não indica obsolescência, pois sua função como gestor tecnológico é básica. Com isso, tal formação é necessária, pois não é coerente se afirmar "moderno" sem ter uma base de conhecimento. O segundo é a pressão do mercado. 

O engenheiro de software é um profissional de presença crítica. Ele tem condições de montar e manter o processo com conhecimento para não produzir soluções aplicáveis apenas a um contexto momentâneo. Assim sendo, a formação que buscamos é a de um profissional que entenda o desenvolvimento tecnológico, adicionando à competência de gerenciar um processo crítico. Sua formação contempla, portanto, o amplo domínio técnico, somado às capacidades que o levarão a compreender todos os cenários de aplicação do software.

Professor deve ser capacitado para a nova maneira de dar aula

Folha de São Paulo, 01/02/2012 - São Paulo SP
SÉRGIO AMARAL ESPECIAL PARA A FOLHA

A aula tradicional está cada vez mais mediatizada pelas tecnologias digitais. Começamos com a introdução do computador, passamos pela lousa digital, até chegarmos aos tablets. Para os professores, a introdução dos tablets em sala de aula deverá trazer uma grande mudança na maneira de dar aula, de apresentar e de discutir o conteúdo com seus estudantes. O problema não é com os alunos, mas com os professores. Precisamos capacitar os docentes para a utilização didática dos tablets no desenvolvimento das atividades pedagógicas em sala de aula. O professor necessita de uma mudança na maneira de ensinar, precisa de uma adaptação do material didático. É fundamental desenvolver atividades em sala de aula com conteúdos que efetivamente utilizem os recursos tecnológicos dos tablets. 


O tablet é pequeno, apresenta certa dificuldade de realizar anotações e outros problemas se compararmos com o livro didático. Mas apresenta recursos com a convergência multimidiática e a conexão com a internet que facilitam a busca e a integração de conteúdo, contribuindo com o processo de aprendizagem. Para tanto, é necessário que a capacitação dos professores não seja somente instrumental, mas contextualizada na potencialidade e na limitação da tecnologia. Deve incluir como são as novas formas de interagir, a linguagem e a construção de conteúdo e como incorporá-las nos processos de ensino e de aprendizagem. Só assim, de fato, estará justificado o uso de tablets em sala de aula, como efetivo instrumento do aprender.